Poucas contraindicações absolutas, muitas condições que pedem preparo
Na maior parte dos casos, a pergunta não é se a pessoa pode ou não fazer implante, e sim o que precisa estar sob controle antes. O implante depende de três coisas: osso onde se firmar, cicatrização adequada e uma gengiva que se mantenha saudável ao redor dele com os anos. Tudo o que interfere nesses três pontos entra na avaliação. Algumas situações pedem adiar o tratamento, outras pedem ajuste de conduta, e poucas o contraindicam de fato. Por isso a indicação sai da conversa sobre o histórico de saúde, do exame da boca e da tomografia, e não de uma lista pronta.
Situações que costumam adiar ou impedir o implante
- Doença sem controle que comprometa a cicatrização, como diabetes descompensado, até que o controle seja retomado com o médico.
- Infecção ativa na boca ou doença da gengiva sem tratamento, que precisam ser tratadas antes.
- Crescimento dos ossos da face ainda em curso, em adolescentes.
- Radioterapia na região da cabeça e do pescoço, que exige avaliação conjunta com a equipe que acompanha o tratamento.
- Uso de certos remédios para osteoporose ou câncer, conforme o tipo, a dose e o tempo de uso.
Fumo, diabetes e doenças autoimunes
O fumo é o fator de risco mais estudado. A revisão sistemática com meta-análise de Chrcanovic, Albrektsson e Wennerberg (Journal of Dentistry, 2015) encontrou falhas em 6,35% dos implantes colocados em fumantes, contra 3,18% nos não fumantes, além de mais infecção depois da cirurgia e mais perda de osso ao redor do implante. Diabetes controlado, por si só, não impede o implante, mas o controle da glicose influencia a cicatrização. Em doenças autoimunes como lúpus e síndrome de Sjögren, a avaliação considera os remédios em uso e, no caso de Sjögren, a boca seca, que favorece a inflamação. Nesses casos, a conversa com o médico que acompanha você faz parte do planejamento.
Remédios para osteoporose e o risco de osteonecrose
Bisfosfonatos e denosumabe, usados contra a osteoporose e em alguns tratamentos de câncer, estão ligados a um risco raro de osteonecrose dos maxilares depois de cirurgias na boca. O posicionamento da Associação Americana de Cirurgiões Bucomaxilofaciais (AAOMS), atualizado em 2022, orienta avaliar esse risco conforme o remédio, a forma de uso (comprimido ou injeção), a dose e o tempo de tratamento. Nas doses usadas contra a osteoporose o risco é baixo, mas precisa ser informado. Nas doses altas de alguns tratamentos oncológicos, a conduta muda bastante. A decisão de suspender ou manter o remédio cabe ao médico, nunca ao paciente.
Idade e o hábito de ranger os dentes
A idade, sozinha, não contraindica o implante: quem tem 80 anos é avaliado como qualquer outra pessoa, com atenção à saúde geral e à capacidade de manter a limpeza em casa. Já o hábito de ranger ou apertar os dentes aumenta a força sobre implantes e próteses. Ele não impede o tratamento, mas muda o plano: número e posição dos implantes, material da prótese e, muitas vezes, uma placa de proteção para usar à noite.
O que levar para a avaliação de implante dentário em Lages
- Lista dos remédios em uso, incluindo os para osteoporose, mesmo os que você já parou de tomar.
- Exames de sangue recentes, principalmente glicemia e hemoglobina glicada, para quem tem diabetes.
- Relatório do médico em caso de doença autoimune, tratamento de câncer ou radioterapia.
- Radiografias ou tomografias antigas da boca.
- Informação sobre o fumo: quantidade por dia e há quanto tempo.