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Restauração antiga no dente: quando trocar, reparar ou manter

Mão segurando com cuidado um copo de água gelada ao lado de uma xícara de chá e um pedaço de chocolate

Uma restauração antiga precisa ser trocada quando apresenta problema: cárie na borda, fratura, infiltração, desgaste que deixa o dente frágil ou dor. Restauração em bom estado, mesmo antiga e mesmo de amálgama (a “obturação preta”), não precisa ser removida só pela idade. Muitas vezes, reparar só a parte com defeito preserva mais o dente do que refazer tudo, e a decisão depende do exame clínico e da radiografia.

Quem tem restaurações feitas há 20 ou 30 anos costuma se perguntar se chegou a hora de trocar tudo, seja por estética, seja por medo do mercúrio do amálgama. É uma dúvida legítima, e a resposta não é igual para todas as restaurações da mesma boca. Este artigo explica os sinais que pedem troca, o que a pesquisa diz sobre durabilidade e reparo e o que mudou nas regras sobre o amálgama.

Por que as restaurações têm prazo de validade

Toda restauração é um material colocado para substituir a parte do dente perdida por cárie ou fratura. Ela recebe a força da mastigação, variações de temperatura e o contato com a placa bacteriana por anos. Com o tempo, a união entre o material e o dente pode se desgastar.

Uma revisão publicada em 2012 na revista Dental Materials (Demarco e colaboradores) analisou 34 estudos com restaurações de resina em dentes posteriores acompanhadas por pelo menos cinco anos. Em 90% deles, a taxa anual de falha ficou entre 1% e 3%. Os principais motivos de falha a longo prazo foram a cárie secundária, que aparece na borda da restauração e se relaciona ao risco de cárie de cada pessoa, e a fratura, ligada ao tamanho da restauração e a hábitos como o bruxismo. Uma meta-análise de 2014 no Journal of Dental Research (Opdam e colaboradores), com 2.816 restaurações, também encontrou mais falhas em pacientes com alto risco de cárie e em restaurações que envolviam mais faces do dente.

Em outras palavras: a duração de uma restauração depende menos de um “prazo” e mais do tamanho dela, do risco de cárie, da mordida e da higiene.

Sinais de que a restauração precisa de atenção

  • Dor ou sensibilidade ao mastigar, ao frio ou ao doce em um dente restaurado.
  • Fio dental que desfia ou prende sempre no mesmo ponto.
  • Comida ficando presa entre dois dentes restaurados.
  • Borda escurecida, com degrau ou espaço entre a restauração e o dente.
  • Pedaço da restauração ou do dente que lascou ou caiu.
  • Trinca visível no dente ao redor de uma restauração grande.
  • Mancha escura que aumenta de tamanho ao longo do tempo.

Alguns desses sinais só aparecem no exame. A cárie embaixo de uma restauração pode não doer, e a radiografia ajuda a enxergar o que não se vê a olho nu.

Exemplo prático: uma paciente com várias restaurações de amálgama antigas procura atendimento porque o fio dental desfia entre dois molares. No exame, a maioria das restaurações está íntegra. Em uma delas, porém, há uma borda com cárie secundária. O plano trata apenas esse dente, e as demais seguem em acompanhamento nas revisões.

Trocar, reparar ou acompanhar: como se decide

Acompanhar

Restauração sem cárie, sem fratura, bem adaptada e sem sintoma pode continuar na boca, com exame nas revisões. Trocar uma restauração saudável significa desgastar de novo o dente, e cada troca tende a deixar a cavidade um pouco maior.

Reparar

Quando o defeito é localizado, como uma pequena fratura ou uma borda com problema, muitas vezes é possível corrigir só aquela parte. A revisão de Demarco e colaboradores aponta o reparo como alternativa viável à troca completa, capaz de aumentar bastante a vida útil da restauração, e as revisões Cochrane sobre o tema destacam que o reparo tende a preservar mais estrutura do dente.

Trocar

A troca completa é indicada quando a cárie se espalhou sob a restauração, quando o material está fraturado de forma extensa ou quando a restauração deixou o dente frágil. Em dentes com muita estrutura perdida, a solução pode deixar de ser uma restauração direta e passar a ser uma peça, como um onlay ou uma coroa. Quando a cárie chega perto do nervo, pode ser necessário o tratamento de canal antes de restaurar.

Situação Conduta mais comum
Restauração íntegra, sem sintoma Acompanhar nas revisões
Defeito pequeno e localizado Reparar a parte afetada
Cárie extensa ou fratura grande Trocar a restauração
Dente muito enfraquecido Avaliar peça indireta, como onlay ou coroa
Cárie profunda perto do nervo Avaliar tratamento de canal antes

E o amálgama? O que mudou nas regras

O amálgama é a liga metálica prateada, com mercúrio na composição, usada por décadas em dentes posteriores. A Resolução RDC nº 879/2024 da Anvisa proíbe no país a fabricação, a importação, a comercialização e o uso em serviços de saúde do mercúrio e do pó para liga de amálgama na forma não encapsulada. O amálgama encapsulado continua permitido, com a advertência de que não é recomendado para gestantes, lactantes e dentes de leite de pessoas com até 15 anos, salvo necessidade avaliada pelo dentista. Essa resolução substituiu a RDC nº 173/2017, que já proibia a forma não encapsulada desde 2019.

Isso não significa que as restaurações de amálgama que já estão na boca precisem ser retiradas. A agência americana de saúde (FDA) orienta que ninguém remova ou substitua restaurações de amálgama em bom estado, a não ser que um profissional de saúde considere necessário. O motivo é duplo: a remoção desgasta estrutura saudável do dente e, no momento em que o material é removido, há exposição temporária maior ao vapor de mercúrio.

Quando a troca de uma restauração de amálgama é indicada por outro motivo, como cárie ou fratura, o material usado hoje costuma ser a resina, da cor do dente. Quem quer mudar a aparência dos dentes da frente por razões estéticas pode conhecer também as facetas de resina, que são um tratamento diferente da restauração.

Em 15 anos de atuação, recebo muitos pacientes que chegam pedindo para trocar todas as restaurações de uma vez. Na avaliação, eu mostro dente por dente o que está bem e o que precisa de cuidado. Tirar uma restauração saudável também tem custo para o dente. Dra. Rafaela Pagliosa Winter

Como funciona a avaliação, passo a passo

  1. Conversa: sintomas, sensibilidade, hábitos como apertar os dentes e histórico de cáries.
  2. Exame clínico de cada restauração, com secagem, iluminação e fio dental.
  3. Radiografias para ver cárie sob a restauração e entre os dentes.
  4. Classificação de cada restauração: acompanhar, reparar ou trocar.
  5. Plano com prioridades, começando pelo que tem cárie ou risco de fratura, com as alternativas e o que compõe o valor de cada uma.

Erros comuns

  • Trocar restaurações saudáveis só pela idade ou pela cor, sem indicação.
  • Ignorar sensibilidade ou fio que desfia em um dente restaurado.
  • Esperar a restauração cair para procurar atendimento.
  • Continuar mastigando do lado onde a restauração caiu, o que pode fraturar o dente.

Perguntas frequentes sobre restaurações antigas

Quantos anos dura uma restauração no dente?

Não há um prazo fixo. Estudos com restaurações de resina em dentes posteriores mostram taxas anuais de falha entre 1% e 3% na maioria das pesquisas, e a duração depende do tamanho da restauração, do risco de cárie, da mordida e da higiene de cada pessoa.

É necessário trocar a obturação preta por uma branca?

Não, se ela estiver em bom estado. A orientação da FDA é não remover restaurações de amálgama íntegras sem indicação profissional, porque a troca desgasta o dente e expõe temporariamente ao vapor de mercúrio. A troca é indicada quando há cárie, fratura ou outro problema.

Minha restauração caiu. O que fazer?

Evite mastigar do lado afetado, mantenha a região limpa com escovação cuidadosa e procure atendimento assim que possível. Não tente colar a restauração em casa. O dente fica mais frágil sem ela e pode fraturar ou ter cárie exposta.

Quando não é mais possível restaurar um dente?

Quando a perda de estrutura é muito grande, a restauração direta pode não ter onde se apoiar. Nesses casos, avalia-se uma peça indireta, como onlay ou coroa, às vezes após tratamento de canal. Quando nem isso é viável, discutem-se a extração e as formas de repor o dente.

Se você tem restaurações antigas e quer saber quais precisam de cuidado, chame a Fluari pelo WhatsApp (49) 98804-4571 e agende uma avaliação no Centro de Lages.

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