A doença periodontal é a inflamação dos tecidos que sustentam os dentes, causada pelo acúmulo de placa bacteriana. No começo, é a gengivite: gengiva vermelha, inchada e que sangra ao escovar. Se não for tratada, pode evoluir para a periodontite, que destrói o osso ao redor dos dentes e é uma das principais causas de perda dentária em adultos. O tratamento combina limpeza profissional abaixo da gengiva, controle de fatores como fumo e diabetes e higiene orientada em casa.
Sangramento ao escovar é tão comum que muita gente acha normal. Não é. É o sinal mais frequente de que a gengiva está inflamada, e é justamente nessa fase que o problema é mais simples de controlar. Este artigo explica como a doença evolui, como é o tratamento e o que se pode fazer para prevenir.
O que é a doença periodontal: gengivite e periodontite
O periodonto é o conjunto de gengiva, osso e ligamentos que prende o dente na boca. A doença periodontal é a inflamação dessas estruturas, provocada pelas bactérias da placa que se acumula junto à gengiva.
Gengivite
É a inflamação apenas da gengiva, sem perda do osso. A gengiva fica avermelhada, inchada e sangra com facilidade. Com a remoção da placa e a melhora da higiene, a gengivite costuma regredir.
Periodontite
A diretriz do Ministério da Saúde para o tratamento da periodontite na atenção primária, publicada em consulta pública em 2023, define a periodontite como uma doença inflamatória dos tecidos de suporte dos dentes, causada pelo acúmulo crônico de biofilme abaixo da gengiva. Ela provoca perda de inserção, ou seja, o dente vai perdendo a fixação no osso, e a diretriz aponta que, nos estágios mais avançados, é a principal responsável por perdas dentárias em adultos na maioria das populações. Em 2025, a Secretaria da Saúde de São Paulo divulgou análise da Faculdade de Odontologia da USP, feita com dados da pesquisa nacional SB Brasil 2010, que também coloca a doença periodontal entre as principais causas de perda de dentes em adultos.
Os estágios
A classificação usada hoje, de 2018, divide a periodontite em quatro estágios (I a IV), conforme a quantidade de inserção e de osso perdidos e a complexidade do caso. A mesma classificação usa graus para indicar a velocidade de progressão, levando em conta fatores como o fumo e o controle do diabetes.
Sinais de alerta na gengiva
- Sangramento ao escovar ou ao passar o fio dental.
- Gengiva vermelha, inchada ou sensível.
- Mau hálito ou gosto ruim que não passa com a escovação.
- Gengiva que parece ter “descido”, deixando o dente mais comprido.
- Dentes que se movimentaram, abriram espaços ou ficaram com mobilidade.
- Pus entre o dente e a gengiva.
- Mudança no encaixe dos dentes ao morder.
A periodontite costuma avançar sem dor. Por isso, parte dos casos só é descoberta quando o dente já está mole, e o exame periódico é o que permite encontrar a doença mais cedo.
Exemplo prático: um paciente de 50 anos procura atendimento porque um dente da frente “abriu” um espaço. Ele conta que a gengiva sangrava havia anos, mas achava que era por escovar com força. No exame com a sonda, aparecem bolsas profundas em vários dentes e a radiografia mostra perda de osso. O plano começa pelo controle da inflamação antes de qualquer outro tratamento.
Quem tem mais risco
A diretriz do Ministério da Saúde destaca dois fatores de risco que modificam o curso da doença:
- Fumo: fumantes têm maior risco de progressão, e parar de fumar faz parte do tratamento.
- Diabetes: a hemoglobina glicada (HbA1c) igual ou acima de 7% em pessoas com diabetes é usada como marcador de maior risco. A relação é de mão dupla: a inflamação na gengiva também dificulta o controle da glicose.
Outros fatores que pesam são a higiene irregular, restaurações e próteses mal adaptadas que acumulam placa, histórico familiar e alguns remédios que alteram a gengiva. Segundo o levantamento da USP divulgado pela Secretaria da Saúde de São Paulo, a doença periodontal sem tratamento também aparece associada a doenças cardiovasculares, ao diabetes descompensado e a complicações na gravidez.
Como é o tratamento, passo a passo
O tratamento é organizado em etapas, e a primeira é a mais importante.
- Exame periodontal: o dentista mede com uma sonda a profundidade entre a gengiva e o dente, observa o sangramento, a mobilidade e a retração, e pede radiografias para avaliar o osso.
- Controle dos fatores de risco: orientação de higiene com demonstração, apoio para parar de fumar e conversa sobre o controle do diabetes com o médico.
- Remoção da placa e do tártaro acima da gengiva, junto com a correção de restaurações ou próteses que acumulam placa.
- Raspagem e alisamento radicular: a limpeza abaixo da gengiva, feita com curetas ou aparelhos ultrassônicos, geralmente com anestesia local. A diretriz do Ministério da Saúde descreve o controle do biofilme abaixo da gengiva como a estratégia padrão para o tratamento.
- Reavaliação: depois de algumas semanas, novo exame para ver como a gengiva respondeu e se algum local precisa de nova intervenção.
- Manutenção periódica: consultas regulares para limpeza e controle, com a frequência definida pelo risco de cada pessoa.
Nos casos mais avançados, pode ser necessária cirurgia periodontal. A resposta ao tratamento varia de pessoa para pessoa, e depende muito da higiene em casa e do controle dos fatores de risco. Na Fluari, o tratamento periodontal faz parte da clínica geral, junto com o tratamento de canal e as restaurações.
Em 15 anos de atuação, vejo que o tratamento da gengiva funciona quando o paciente entende o próprio papel. A limpeza no consultório remove o que já está lá, mas é a escova interdental de todo dia que segura o resultado. Dra. Rafaela Pagliosa Winter
Prevenção: o que fazer em casa
A diretriz do Ministério da Saúde, com base em revisões da literatura, reforça a escovação como a principal forma de reduzir a placa e a gengivite, e recomenda ensinar a limpeza entre os dentes, de preferência com escovas interdentais. No dia a dia:
- Escovar pelo menos duas vezes ao dia, com escova macia e creme dental com flúor, inclinando a escova em direção à gengiva.
- Limpar entre os dentes todos os dias, com fio dental ou escova interdental do tamanho indicado pelo dentista.
- Não fumar.
- Manter o diabetes controlado.
- Fazer revisões periódicas, porque o tártaro não sai com a escovação comum e precisa ser removido no consultório.
Quem já perdeu dentes e pensa em implante dentário precisa tratar a gengiva antes. A mesma inflamação que destruiu o osso dos dentes naturais pode atingir o osso ao redor do implante.
Erros comuns
- Parar de escovar a região que sangra, achando que está machucando. O sangramento costuma diminuir justamente com a escovação e a limpeza correta.
- Usar enxaguante bucal no lugar da escova e do fio.
- Abandonar as consultas de manutenção quando a gengiva para de sangrar.
- Esperar o dente ficar mole para procurar atendimento.
Perguntas frequentes sobre doença periodontal
É normal sair sangue ao escovar os dentes?
Não. O sangramento é o sinal mais comum de gengiva inflamada. Se ele aparece com frequência, vale uma avaliação, porque na fase de gengivite o controle é mais simples.
É possível reverter a periodontite?
A gengivite costuma regredir com limpeza e boa higiene. Na periodontite, o tratamento controla a inflamação e interrompe a progressão, mas o osso já perdido em geral não volta sozinho. Por isso, quanto antes o tratamento começa, mais estrutura se preserva.
A doença periodontal é grave?
Pode ser. Sem tratamento, a periodontite leva à perda de osso e de dentes e está associada a doenças como diabetes descompensado e problemas cardiovasculares. Tratada e acompanhada, ela pode ser controlada por muitos anos.
Quanto tempo dura o tratamento?
Depende do estágio da doença, da quantidade de dentes afetados e da resposta de cada pessoa. A fase ativa é seguida de reavaliação e de manutenção por tempo indeterminado, porque a periodontite pede acompanhamento contínuo. O plano e a frequência das consultas são apresentados depois do exame.
Se a sua gengiva sangra, está inchada ou você percebeu dentes se movendo, chame a Fluari pelo WhatsApp (49) 98804-4571 e agende uma avaliação no Centro de Lages.